"O café não é caro. É frágil." Luca Solari explica por que o verdadeiro risco não é o preço, mas a falta de oferta.

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Numa altura em que o café já não é apenas uma categoria de elevado volume, mas sim uma variável estratégica no equilíbrio entre a indústria e a distribuição, a PR Italia Edizioni dedicou uma Mesa Redonda Digital inteiramente ao tema: Volatilidade das matérias-primas, transformação do consumo, redefinição da lógica promocional e nova centralidade das marcas próprias..

O título da reunião – dedicada a Dinâmica do mercado de café entre instabilidade de preços e volumes estáveis ​​no comércio varejista em larga escala – Não foi um exercício acadêmico. Foi um retrato de uma transição de época.

Nos últimos quatro anos, o setor vivenciou três déficits globais, estoques em níveis historicamente baixos, choques climáticos, tensões logísticas, flutuações cambiais e pressões regulatórias. Ao mesmo tempo, os preços atingiram patamares recordes, enquanto os consumidores — surpreendentemente — não abandonaram seu café diário, mas mudaram seus padrões e sistemas de consumo.

O resultado é um mercado que não pode mais ser interpretado usando categorias tradicionais. Não é simplesmente "caro": é frágil. Não é apenas inflacionário: é instável. A relação entre marcas e marcas próprias não é mais linear. E, acima de tudo, exige uma nova linguagem de negociação entre torrefadores e compradores.

Nesse contexto, entre a análise de commodities, os dados de vendas e a comparação direta entre a indústria e a distribuição, surge a visão de Luca Solari, à frente do Covim Caffè.

Seu discurso ofereceu uma interpretação clara e direta da situação atual na indústria italiana de torrefação de café: um momento em que a gestão de riscos substituiu a previsão, a estabilidade se tornou um objetivo e a colaboração na cadeia de suprimentos não é mais uma escolha tática, mas uma necessidade estrutural.

Lucas Solari Não começa com gráficos. Começa com um sentimento concreto, vivenciado na empresa dia após dia: "Quando os níveis de estoque estão tão baixos, o mercado não está apenas caro. Está exposto. Não é preciso muito para gerar pânico. Mesmo informações parciais podem desencadear movimentos violentos.".

Seu raciocínio apresenta uma mudança de perspectiva que altera completamente o foco da discussão. Não é o valor absoluto dos preços que determina a instabilidade, mas sim a falta de uma reserva: "Se os suprimentos fossem abundantes, um evento climático ou uma dificuldade logística seriam absorvidos. Não hoje. Hoje, cada variável se torna imediatamente um preço."Essa é a fragilidade que tem marcado os últimos anos.

Solari recorda como, no início, muitos operadores consideravam a volatilidade um fenómeno temporário. "Em 2021 e 2022, pensávamos que era uma fase excepcional. Depois veio 2023, depois 2024. Em certo ponto, você para de esperar que as coisas voltem ao normal. Você tem que aprender a administrar um novo equilíbrio."Para uma torrefadora industrial, acostumada a planejar, contratar e programar compras e produção, isso significa mudar sua mentalidade. "Tivemos que encurtar o horizonte de tomada de decisão. Não dá para pensar muito quando a situação está mudando tão rapidamente."E acrescenta, quase com um toque de amarga ironia: "Quando eu era menino, dizia-se que um bom operador de torrefação raramente fechava as contas no vermelho. Nos últimos anos, temos visto o oposto. E não por incompetência, mas por causa de um contexto desproporcional.".

Uma das passagens mais interessantes de seu pensamento diz respeito à própria natureza do produto: "O café é um arbusto. Não é uma mercadoria que se liga e desliga como um interruptor."O CEO comercial da Covim Caffè explicou então, com calma, algo que muitas vezes é esquecido nas mesas de negociação: mesmo que os preços de hoje incentivem novas safras, os efeitos não serão vistos amanhã. "Uma planta leva anos para atingir a produção plena. Sete, em média. Isso significa que o mercado agrícola tem um cronograma biológico que não coincide com o cronograma financeiro."E é aqui que surge a tensão entre expectativas e realidade, quando ele acrescenta "Fala-se em normalização, pode haver uma fase mais tranquila, mas não podemos esperar um retorno imediato aos níveis anteriores.".

Embora a oferta seja frágil, a demanda permanece surpreendentemente sólida, conclui Solari. O café expresso italiano está se expandindo pelo mundo. Não apenas no consumo tradicional, mas também em sistemas de dose única. E isso impacta a dinâmica da oferta.Então ele destaca como A Itália deixou de ser apenas um mercado consumidor e passou a ser também uma plataforma de processamento e exportação.: "Importamos, torramos e reexportamos. A pressão sobre as matérias-primas não é apenas interna. É global."O que significa competir não apenas com as torrefadoras italianas, mas também com a demanda internacional.

Sobre a relação com o comércio varejista em larga escalaSolari é direto, mas equilibrado: "Houve momentos de discussões intensas. Isso é normal. Os compradores devem defender os consumidores, e nós devemos garantir a sustentabilidade industrial."A palavra-chave, no entanto, não é conflito: «No final, a categoria se manteve firme, os volumes não entraram em colapso. Isso significa que,» Apesar das tensões, a cadeia de suprimentos encontrou um equilíbrio.» e então conclui "Quando você enfrenta uma tempestade tão longa, ou você colabora ou você se separa. Nós escolhemos a colaboração.".

A importância dos investimentos para a Covim Caffè

Existe, então, um tema que Solari considera central: a capacidade do setor de continuar investindo: "Se as empresas operam durante anos com margens comprimidas ou deficitárias, elas param de inovar. E quando você para de inovar, começa a perder valor."Resumindo, para ele, estabilidade não é apenas uma questão de preços mais baixos, mas de previsibilidade. "Não voltaremos aos níveis históricos, mas podemos voltar a operar com maior estabilidade, e a estabilidade permite planejamento, pesquisa, qualidade e sustentabilidade." Enviar uma mensagem que vai além da situação atual.

Diretivas europeias no mundo do café

Em seu discurso, Luca Solari também abordou o seguinte: o tema dos materiais e das diretivas europeias "O caminho rumo a soluções mais sustentáveis ​​não é uma moda passageira, é uma obrigação estrutural." E ele não diz isso com entusiasmo ideológico, mas com pragmatismo industrial. "Este é um momento crucial, que exige sinergia: indústria, distribuição e fornecedores de embalagens: todos devem agir em conjunto."Porque também aqui, tal como na gestão das matérias-primas, a fragmentação seria um erro.

Na conclusão de seu raciocínio, Solari retoma um conceito que resume toda a visão: "Não podemos controlar o clima no Brasil, nem as tensões geopolíticas. Mas podemos controlar como reagimos."Esta é uma filosofia operacional, e não uma declaração de princípios. Trata-se de gerir o risco em vez de o negar, de reduzir os horizontes sem perder a visão a longo prazo e de colaborar sem sacrificar a nossa identidade industrial.

Luca Solari conclui com uma frase que parece simples, mas que resume quatro anos do mercado: "O que não te mata te fortalece. A indústria cafeeira italiana saiu dessa fase mais consciente. E talvez até mais madura."Em um mercado que deixou de ser linear, a maturidade tornou-se a verdadeira alavanca competitiva.

Assista à mesa redonda completa em nosso canal do YouTube.

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