Desde 2025, os Países Baixos tornaram-se o principal exportador mundial de produtos de cacau, ultrapassando a Alemanha e consolidando um papel cada vez mais central na cadeia de abastecimento global, num contexto em que o controlo dos processos industriais e logísticos supera a reputação do produto final. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística dos Países Baixos (CBS), o valor das exportações neerlandesas — que incluem chocolate, massa de cacau, manteiga e cacau em pó — aumentou de 4,2 mil milhões de euros em 2020 para 12,4 mil milhões de euros em 2025, quase triplicando em cinco anos e confirmando um fortalecimento estrutural de toda a cadeia de abastecimento.
Essa expansão também se reflete na economia nacional, onde o setor gera aproximadamente € 3 bilhões em receitas de exportação, evidenciando como o cacau se tornou uma alavanca cada vez mais importante dentro do sistema agroindustrial e comercial do país. Essa ascensão é impulsionada por fatores estruturais difíceis de replicar no curto prazo, incluindo a centralidade logística dos principais portos — particularmente Rotterdam —, a presença de operadores internacionais de processamento e uma forte integração entre a importação de matéria-prima, o processamento industrial e a redistribuição para os mercados globais.
Atrás dos Países Baixos, a Alemanha continua a ocupar uma posição de liderança graças a uma cadeia de abastecimento consolidada e a uma significativa capacidade de exportação para os principais mercados europeus e internacionais, mantendo um papel fundamental no processamento do cacau. Completando o pódio está a Costa do Marfim, que, apesar de ser historicamente a maior produtora mundial de cacau, tem vindo a reforçar progressivamente a sua presença nas fases de processamento nos últimos anos, aumentando o valor acrescentado das exportações e reduzindo a sua dependência da venda de matérias-primas não processadas.
Esse processo de maior integração vertical permite que o país africano retenha uma parcela maior do valor ao longo da cadeia de suprimentos, ajudando a reequilibrar, pelo menos em parte, as relações entre os países produtores e os principais polos industriais. No entanto, a ausência da Bélgica entre os três maiores produtores globais continua significativa, apesar de sua reputação consolidada em chocolates premium e forte presença no segmento de produtos acabados de alto valor agregado.
A explicação reside na própria estrutura das estatísticas de exportação, que favorecem os países capazes de lidar com grandes volumes de produtos intermediários — como massa de cacau, manteiga e cacau em pó — em detrimento daqueles focados em nichos qualitativos, por mais prestigiosos que sejam. Nesse cenário, os Países Baixos emergem cada vez mais como uma plataforma integrada que combina logística avançada, capacidade industrial e acesso a mercados, capturando com sucesso os fluxos globais e transformando-os em valor econômico ao longo de toda a cadeia de suprimentos.
Graças à sua flexibilidade e capacidade de rápida adaptação às mudanças na demanda e nas condições de mercado, este modelo parece destinado a se fortalecer ainda mais nos próximos anos. A crescente concentração do processamento de cacau em alguns polos europeus também evidencia como a vantagem competitiva está gradualmente se deslocando para aqueles que controlam as etapas intermediárias da cadeia de suprimentos, em vez daqueles que supervisionam exclusivamente o produto final. Olhando para o futuro, fatores como a volatilidade das matérias-primas, as tensões geopolíticas e as crescentes demandas por sustentabilidade e rastreabilidade irão redefinir ainda mais o equilíbrio do setor, favorecendo modelos integrados e estruturados industrialmente.



















