Uma nova aliança intersetorial envolvendo a indústria, o varejo e organizações não governamentais está destacando a necessidade de acelerar as regulamentações contra o desmatamento no Reino Unido, impactando diretamente as cadeias de suprimento globais de cacau e chocolate. No centro da iniciativa está a criação da UK Cocoa Coalition, uma plataforma que reúne grandes varejistas como Sainsbury's, Marks & Spencer e Waitrose, juntamente com empresas do setor, incluindo a Ferrero, com o objetivo de pressionar o governo britânico por ações regulatórias mais claras e oportunas.
A coalizão também inclui processadores globais de cacau como a Barry Callebaut, marcas focadas em sustentabilidade como a Tony's Chocolonely e grupos multinacionais como a The Hershey Company, com o apoio de entidades certificadoras e ONGs, incluindo a Rainforest Alliance, a Fairtrade Foundation e o WWF. A iniciativa visa desbloquear a implementação das regulamentações sobre "Commodities de Risco Florestal", exigidas pela Lei Ambiental de 2021, mas ainda não totalmente operacionais. Segundo seus defensores, o atraso está gerando incerteza em toda a cadeia de suprimentos, dificultando investimentos em rastreabilidade, sustentabilidade e inovação em modelos de aquisição.
A questão regulatória é crucial: as empresas defendem não apenas a introdução de normas, mas também o alinhamento com o Regulamento da UE sobre o Desmatamento, para evitar a fragmentação regulatória que aumentaria os custos e a complexidade operacional para os operadores que atuam em múltiplos mercados. A coligação enfatiza que uma regulamentação clara não representaria um fardo burocrático adicional, mas sim um fator facilitador para os investimentos já em curso em cadeias de abastecimento responsáveis, criando um quadro mais estável e previsível para empresas e fornecedores.
No âmbito político, a iniciativa recebeu apoio do Grupo Parlamentar Multipartidário sobre Desflorestamento, com o deputado Alex Sobel destacando a importância da colaboração entre empresas e ONGs para fortalecer a pressão por uma legislação eficaz contra o desflorestamento ilegal. Uma questão fundamental diz respeito ao equilíbrio entre a sustentabilidade ambiental e a econômica: organizações como a Fairtrade e a Rainforest Alliance reiteraram que quaisquer novas exigências regulatórias devem evitar repassar os custos aos pequenos agricultores, que já estão expostos a margens reduzidas e à volatilidade de preços.
Do ponto de vista da indústria, o tema da colaboração em toda a cadeia de valor emerge com força. Segundo representantes da Ferrero e da John Lewis Partnership, nenhum operador isolado consegue resolver sozinho os problemas críticos do setor, tornando essencial uma abordagem coletiva que envolva varejistas, marcas e fornecedores. Olhando para o futuro, a importância do mercado do Reino Unido — o terceiro maior do mundo em chocolate — representa uma alavanca estratégica para orientar as práticas de fornecimento internacional. A UK Cocoa Coalition propõe-se, portanto, a ser um catalisador dessa mudança, apelando ao Governo para que transforme os compromissos regulamentares em ferramentas concretas capazes de combinar a proteção florestal, os direitos humanos e a estabilidade económica para milhões de produtores de cacau.



















