Os principais intervenientes na distribuição italiana analisaram como construir marcas próprias mais inovadoras, sustentáveis e competitivas através de novos modelos de cooperação com a indústria.
Num momento em que a Marca Distribuidora (MDD) regista alguns dos crescimentos mais relevantes da sua história em numerosos mercados internacionais, a Itália reuniu num único cenário os principais protagonistas deste fenómeno: os maiores setores de distribuição, a indústria especializada no fabrico para marcas de particulares e os especialistas que analisam a evolução do setor.
A conferência “MDD: Modelos de colaboração e etapas de desenvolvimento entre Distribuição e Indústria”, celebrado no marco de Tuttofood 2026 See MoreNão se tratava de uma sucessão de apresentações comerciais. Era um espaço de reflexão onde ele tentava responder a uma questão que preocupa todos os operadores atualmente: O que torna a marca de um varejista verdadeiramente competitiva e quais são os fatores que ainda precisam evoluir para sustentar seu crescimento?
O resultado foi uma visão muito mais robusta da MDD. Uma visão que definitivamente supera a ideia de uma marca própria baseada unicamente em oferecer um preço mais baixo do que a marca industrial.
O MDD não é um produto: é um modelo de negócio.
A principal mensagem que surgiu durante a conferência foi clara: a marca distribuidora afirmou ser uma alternativa simples e econômica.
Quando um varejista coloca sua própria marca na embalagem, ele assume responsabilidades que, por alguns anos, pertenceram exclusivamente ao fabricante. Qualidade, segurança alimentar, rastreabilidade, sustentabilidade, continuidade da governança, reputação e gestão de riscos fazem parte da identidade da escola.
Isso modifica profundamente o papel de todos os atores envolvidos.
O distribuidor deve ser, sem dúvida, um comprador para se tornar um verdadeiro proprietário da marca. A indústria, por sua vez, não pode se limitar à produção em conformidade com um conjunto de condições. Ela deve agregar conhecimento, inovação, capacidade de desenvolvimento, investimentos em P&D, domínio da legislação internacional e uma visão compartilhada da evolução das categorias.
O preço continua sendo importante, mas não é suficiente.
Durante muitos anos, a conversa sobre o MDD girou exclusivamente em torno do preço.
Hoje, esse paradigma se mostra insuficiente.
A competitividade de uma marca própria advém de uma combinação muito mais completa: eficiência industrial, transparência nos custos, estabilidade nas relações, conhecimento das matérias-primas e capacidade de inovar para gerar uma complexidade que o consumidor não estava disposto a pagar.
O preço continua sendo um elemento essencial para preservar a acessibilidade, mas deve ser o único critério para a elaboração de uma estratégia em larga escala.
A verdadeira inovação se manifesta na forma de colaboração.
Um dos aspectos mais interessantes que emergiu na Tuttofood foi que as melhores experiências de marca do distribuidor não correspondem ao modelo tradicional em que o distribuidor define um produto e o fabricante simplesmente o executa.
As empresas mais avançadas estão criando equipes de trabalho conjuntas, nas quais participam compradores, especialistas em qualidade, departamentos de marketing, gerentes de inovação, especialistas da indústria e profissionais de desenvolvimento de produtos.
A inovação deve, portanto, ser o resultado de uma negociação comercial para se converter em um processo compartilhado.
Essa mudança ainda não está totalmente incorporada ao setor. Muitas empresas trabalham dessa forma, mas poucas transformaram essas práticas em um verdadeiro modelo organizacional.
Precisamente por essa razão, a conferência italiana adquiriu um valor especial: permitiu-nos dar nome e estrutura a dinâmicas que já existiam há alguns anos, mas que raramente foram analisadas de forma tão aberta entre todos os protagonistas da cadeia de valor.
Uma mensagem especialmente relevante para a América Latina.
Embora esse evento tenha ocorrido na Itália, muitas das conclusões tiveram enorme importância para a América Latina.
A região está vivenciando uma expansão acelerada da marca distribuidora. Os mercados da Colômbia, México, Chile, Peru, Equador, Paraguai e outros estão aumentando ano após ano a participação de suas marcas no país.
Nessa fase de crescimento, a experiência italiana representa um laboratório especialmente útil.
A Europa vem trilhando há décadas um caminho que muitos varejistas latino-americanos estão começando a percorrer. Compreender quais são os modelos de colaboração mais eficazes, onde surgem as principais dificuldades e quais erros devem ser evitados pode acelerar significativamente a evolução do setor na região.
A colaboração não deve ser convertida em conveniência.
Outra das sugestões mais interessantes durante a reunião foi a necessidade de rever continuamente as relações entre distribuidores e fabricantes.
Os aliados da Largo Plaza geram confiança, favorecem a inversão da curva de contágio e permitem o desenvolvimento de projetos industriais muito mais sólidos.
No entanto, quando essas relações eliminam o incentivo à inovação ou reduzem a pressão competitiva, elas deixam de agregar valor.
A estabilidade só é positiva quando coexiste com a capacidade permanente de discutir produtos, processos, categorias e posições.
A inovação exige confiança, mas também uma saudável tensão competitiva.
O próximo ponto de venda é da marca do distribuidor.
A marca do distribuidor demonstrou que pode competir com as grandes marcas industriais.
A próxima etapa demonstrará que também pode ser consolidado como um modelo industrial capaz de equilibrar objetivos que, em poucos anos, pareceram difíceis de conciliar: proteger o poder de compra do consumidor sem deteriorar a rentabilidade do ciclo governamental; inovar sem perder a acessibilidade; construir relações estáveis sem abrir mão da competência.
Este foi provavelmente o verdadeiro elo da conferência realizada em Tuttofood.
Além dos números de crescimento do MDD, o contexto nos permitiu identificar quais princípios funcionam, quais precisam ser consolidados e quais elementos devem ser transformados em metodologias compartilhadas por toda a indústria.
Para qualquer gestão que trabalhe no desenvolvimento de marcas próprias — seja na distribuição, na indústria alimentar ou em empresas de serviços — as conclusões deste contexto representam uma referência de grande valor.
Porque o futuro da marca do distribuidor não dependerá apenas do preço de mercado. Dependerá, sobretudo, da capacidade de construir um novo modelo de colaboração entre a indústria e a distribuição, mais transparente, mais inovador e preparado para responder às necessidades do consumidor dos próximos anos.



















