Reino Unido: A confiança dos produtores de alimentos despenca, colocando em risco investimentos e empregos.

Facebook
LinkedIn
WhatsApp
Telegram
E-mail
Impressão

A indústria alimentícia britânica enfrenta, mais uma vez, um período de grande incerteza. A confiança entre as empresas de alimentos e bebidas no Reino Unido despencou para os níveis mais baixos dos últimos anos, impactada pelo aumento dos custos de energia e pelas tensões internacionais que pressionam as cadeias de suprimentos globais.

Segundo o último relatório "Estado da Indústria" da Federação de Alimentos e Bebidas (FDF), no primeiro trimestre de 2026, o índice de confiança empresarial despencou para -64%, um valor não visto desde a crise energética que se seguiu à invasão da Ucrânia e que também reflete as dificuldades enfrentadas durante a pandemia.

As perspectivas para os próximos meses já não parecem animadoras. O índice de expectativas trimestrais situa-se em -51%, um sinal de que muitas empresas antecipam uma deterioração ainda maior das condições operacionais.

O aumento dos preços da energia está a afetar gravemente os orçamentos. Para um quinto das empresas alimentares britânicas, os custos de energia representam agora mais de 10% das despesas operacionais totais, enquanto para outros 8%, representam entre 20% e 24% do total.

A isso se somam os desafios energéticos o aumento dos preços das matérias-primas e dos serviços de logística. Empresas relatam aumentos de até 15% em embalagens plásticas e de mais de 20% nos custos de transporte. Os preços dos fertilizantes também continuam sendo uma preocupação, em um contexto internacional caracterizado por tensões elevadas e crescente volatilidade nos mercados agrícolas.

As consequências correm o risco de se espalhar rapidamente por toda a cadeia de suprimentos. Um total de 82% dos produtores entrevistados planeja aumentar os preços de seus produtos para compensar o aumento nos custos de produção.

Ao mesmo tempo, muitas empresas estão considerando medidas de redução de custos. Um terço das empresas planeja reduzir seu quadro de funcionários ou realizar uma reorganização interna, enquanto o mesmo número pretende reduzir os investimentos em marketing. Vinte e seis por cento também podem suspender ou adiar projetos de investimento e 21% podem limitar o treinamento de pessoal.

A Federação de Alimentos e Bebidas está, portanto, apelando ao governo britânico para que introduza medidas extraordinárias de apoio ao setor. Sessenta e nove por cento das empresas consideram a redução dos custos de energia uma prioridade, enquanto outros pedidos incluem a simplificação das normas de reciclagem de embalagens, uma introdução mais gradual das novas regulamentações laborais e prazos de transição mais realistas para o cumprimento dos acordos comerciais com a União Europeia.

Segundo estimativas da federação, a inflação alimentar no Reino Unido poderá atingir pelo menos 9% até ao final do ano. Este cenário preocupa não só os produtores e distribuidores, mas também os retalhistas, que terão de gerir um potencial aumento de preços nas prateleiras e um maior impacto no poder de compra das famílias.

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Bolso
WhatsApp
Não perca nada! Inscreva-se em nossa newsletter.

Deixe um comentário